Camarões, Senegal, Gana, Marrocos: as histórias de superação de um continente que chegou para ficar nas Copas do Mundo.
O futebol africano é a maior história de superação da Copa do Mundo. Partindo do zero — sem vagas garantidas nas primeiras décadas — o continente construiu um legado de momentos históricos que culminaram no milagre do Marrocos em 2022: a primeira seleção africana na semifinal da Copa do Mundo.
A Copa da Itália de 1990 marcou o início de uma nova era para o futebol africano. Camarões entrou no torneio como grande zebra e saiu como herói continental. No primeiro jogo, eliminaram a Argentina campeã por 1x0 — Roger Milla, com 38 anos, no banco de reservas.
Milla virou protagonista. Saía do banco, marcava, corria para a bandeirinha de escanteio e dançava — uma imagem que o mundo inteiro reproduziu. Camarões chegou às quartas-de-final, eliminando Romênia e Colômbia. Só perdeu para a Inglaterra nos pênaltis.
O impacto foi imediato: o mundo acordou para o potencial do futebol africano. A FIFA ampliou as vagas africanas nas edições seguintes — o começo de uma representação que cresceu até os 9 slots de 2026.
Em 2022 no Catar, Marrocos fez o que nenhuma seleção africana havia conseguido: chegou às semifinais. Pelo caminho, eliminou Bélgica (2ª do ranking mundial), Espanha (nos pênaltis) e Portugal (3x0). Uma campanha que entrou para a história do futebol por méritos técnicos indiscutíveis.
O técnico Walid Regragui montou uma das defesas mais sólidas do torneio e usou transições rápidas para maximizar o potencial ofensivo de jogadores como Hakim Ziyech e Youssef En-Nesyri. O Marrocos não foi uma surpresa — foi uma seleção organizada que jogou futebol de alto nível do início ao fim.
Em 2026, com 9 vagas para o continente, a África tem a maior oportunidade histórica de finalmente produzir um campeão mundial. Marrocos, Senegal e Costa do Marfim são os candidatos mais óbvios — mas o futebol africano é repleto de surpresas.